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O cansaço que não passa dormindo

  • psicomayarasander
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

"Estou tão cansada"


Ouço isso toda semana. E quase sempre, esse cansaço tem outro nome.

A pessoa chega numa segunda de manhã e a primeira coisa que diz é: estou tão cansada. Dormiu. Descansou. E ainda assim...

O fim de semana passou. Não fez nada demais. Mas também não descansou de verdade. Ficou no celular, scrollando, vendo todo mundo vivendo enquanto se sentia travada. Sem energia pra começar. Sem saber direito o que pesava.

Tem uma geração inteira carregando isso. A comparação que não para. O excesso de informação, de cobrança, de falta. A sensação de estar sempre atrasada numa corrida que você nem escolheu entrar. E no meio de tudo isso, pouco espaço pra saber o que é seu dentro de tudo isso.

Freud já dizia que o mal-estar não some: ele se inscreve. Birman foi além. Na contemporaneidade, essa inscrição aparece no corpo que adoece, no ato que não se explica, na intensidade que chega antes de qualquer pensamento. O psiquismo recebe tudo que não encontrou outro caminho. Fica guardado ali até aparecer como sintoma, como dor, como esse cansaço sem nome que chega bem cedo numa segunda.

Lidar com o que se sente virou um campo cada vez mais perigoso. Quando uma emoção aparece, o instinto é não entrar. Manter o movimento. Não parar. O trabalho, os estudos, os planos, o scroll que não termina: sempre tem algo urgente pra ocupar o lugar do que está esperando lá dentro.

Só que o que está lá dentro não espera pra sempre. Aparece no corpo. Na ansiedade sem aviso. No vazio que não tem explicação. No cansaço que não passa mesmo depois de dormir.

Talvez o que você precise não seja descansar mais. Seja ter um lugar onde o que você carrega possa existir sem precisar ser resolvido logo.

 
 
 

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©2026 por Psicóloga Mayara Sander. 

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