Quando uma experiência não encontra palavras
- psicomayarasander
- há 6 horas
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Sándor Ferenczi passou boa parte da sua obra girando em torno de uma pergunta simples e difícil:o que acontece com uma experiência que não encontrou lugar para ser pensada?
Ela não desaparece.Ela encontra outros caminhos.
Pode aparecer no corpo que trava em situações específicas.Nos relacionamentos que seguem um roteiro que a pessoa jura não ter escolhido.No choro que vem sem aviso — ou que não vem nunca, mesmo quando seria esperado.
E aqui tem um ponto importante: isso não depende apenas do tamanho do que aconteceu.
Aprendemos, muitas vezes, a medir o sofrimento pelo evento.“Comigo nunca aconteceu nada grave”, como se isso fosse suficiente para garantir que está tudo bem.
Mas Ferenczi propõe outro olhar.O que marca não é apenas o que aconteceu, mas o que faltou quando aconteceu.Se havia alguém para escutar, sustentar, dar sentido.Ou se a experiência precisou ser vivida sozinha.
Às vezes, é essa ausência — mesmo em situações que parecem pequenas — que deixa marcas mais profundas.
Na clínica com adolescentes, isso aparece de forma muito viva.Raramente o jovem chega dizendo o que carrega.Ele chega repetindo.
Às vezes sem perceber.Às vezes percebendo, mas sem conseguir parar.
O trabalho terapêutico, então, passa por criar um espaço onde aquilo que ficou sem nome possa, aos poucos, começar a encontrar algum.
Ferenczi apostava justamente nisso:na possibilidade de que, na relação analítica, algo diferente possa acontecer.
Uma nova chance.Talvez a primeira de não precisar passar por isso sozinho. Se você percebe que vive repetições que não consegue entender, a psicoterapia pode ser um espaço para começar a dar sentido a isso.





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