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SOBRE MIM

Meu nome é Mayara Sander e sou psicóloga clínica de orientação psicanalítica.

Desde a adolescência eu sabia que queria ser psicóloga. O que sempre me mobilizou foi a possibilidade de escutar as pessoas e compreender como cada um constrói sua forma de pensar, sentir e agir. Foi esse desejo que me levou à Psicologia e que continua orientando minha prática até hoje.

Durante a graduação, uma pergunta ainda permanecia em aberto: de que forma eu gostaria de exercer a Psicologia? Foi ao longo da formação que encontrei a psicanálise. Mais do que escolher uma abordagem, senti que havia encontrado uma forma de compreender o sujeito que dialogava com a maneira como eu já enxergava o mundo. Antes mesmo da faculdade, eu já me interessava por filosofia, pelas diferentes formas de pensar a experiência humana e pelos questionamentos sobre quem somos. A psicanálise organizou muitas dessas inquietações e, desde então, tornou-se o eixo da minha prática clínica.

Ainda na graduação, comecei meus estágios e me aproximei da clínica infantil. Naquele momento, acreditava que poderia contribuir para que crianças e adolescentes atravessassem momentos importantes do seu desenvolvimento acompanhados por um profissional. Com o tempo, compreendi que essa experiência me ensinou muito mais do que trabalhar com a infância. Foi atendendo crianças que passei a compreender, de forma mais profunda, a constituição do sujeito. Entender os primeiros vínculos, o desenvolvimento emocional e a história de cada pessoa transformou também minha maneira de escutar adolescentes e adultos.

Foi buscando aprofundar essa formação que cheguei ao CEAPIA, instituição de referência em atendimento de crianças e adolescentes pelo viés psicanalítico, em Porto Alegre. Lá realizei meu estágio clínico, atuei como terapeuta de ambientoterapia e vivi experiências que marcaram profundamente minha formação. Mais tarde, retornei para realizar a especialização em Psicoterapia Psicanalítica da Infância e Adolescência, uma formação de três anos que considero um dos pilares da minha trajetória. Depois de concluída a especialização, permaneci por mais três anos integrando o corpo clínico da instituição. Hoje sigo vinculada ao CEAPIA como membro associada.

Durante essa formação, uma experiência teve um significado especial: a Observação de Bebês pelo Método Esther Bick. Acompanhar o desenvolvimento de um bebê ao longo do seu primeiro ano de vida foi um divisor de águas na minha formação. Mais do que aprender sobre o desenvolvimento infantil, essa experiência me ensinou sobre a postura clínica, sobre a importância da observação, da espera e da capacidade de sustentar uma presença atenta antes de buscar respostas ou interpretações. São aprendizados que permanecem vivos na minha prática até hoje.

Meu segundo estágio aconteceu na saúde pública, onde passei pelos CAPS e pelas Unidades Básicas de Saúde do município de Guaíba. Após a graduação, tive a oportunidade de atuar como psicóloga no CAPSij da cidade durante cerca de um ano e meio. Esse período ampliou meu olhar sobre o sofrimento psíquico em diferentes contextos e me ensinou algo que carrego até hoje: a clínica também acontece dentro das possibilidades e das limitações da realidade. Aprendi a sustentar as angústias que nem sempre podem ser resolvidas imediatamente, sem perder de vista o compromisso com o cuidado.

Desde o início da minha atuação profissional mantenho a clínica como principal espaço de trabalho. Atendo crianças, adolescentes e adultos, sempre a partir de uma escuta psicanalítica. Desde 2020 também realizo atendimentos online, o que me permitiu acompanhar pacientes de diferentes regiões do Brasil.

Em 2025 iniciei uma nova etapa da minha vida ao me mudar para Angra dos Reis. A mudança representou um novo momento pessoal, sem interromper a continuidade da minha prática clínica, que segue acontecendo tanto de forma presencial quanto online.

Acredito que a formação de um psicólogo nunca se encerra. Por isso, em 2026 iniciei a pós-graduação em Psicanálise e Análise do Contemporâneo, na PUCRS. Nela, busco aprofundar a interlocução entre a metapsicanálise e os modos de sofrimento que atravessam a contemporaneidade. Além da pós-graduação, continuo participando de grupos de estudo, cursos, supervisões e espaços de formação que fazem parte da construção permanente da minha prática.

Hoje percebo que cada etapa da minha trajetória ampliou meu modo de escutar. A clínica, a infância, a saúde pública, o CEAPIA, os estudos e os encontros com cada paciente foram, aos poucos, construindo a psicóloga que sou. Mais do que uma sequência de títulos ou experiências, essa trajetória representa um compromisso contínuo com a formação, com a ética e com a singularidade de cada pessoa que chega ao consultório.

Mayara Sander, psicóloga de orientação psicanalítica, especialista em crianças, adolescentes e jovens adultos

Por que psicanálise?

Existe uma diferença entre tratar um sintoma e escutar o que ele está dizendo.

A psicanálise parte de uma premissa que ainda hoje perturba quem se aproxima dela pela primeira vez: boa parte do que nos governa não é acessível à consciência. Não por falta de esforço ou de autoconhecimento, mas porque o psiquismo humano se organiza de formas que a razão não alcança sozinha. Freud não descobriu o inconsciente por acidente. Ele percebeu que seus pacientes não melhoravam quando simplesmente compreendiam seus problemas. Algo mais precisava acontecer, algo que só a palavra, dita livremente, sem roteiro, sem meta, conseguia mobilizar.

Trabalho a partir disso. Não com um protocolo que mapeia sintomas e propõe intervenções, mas com a escuta do que se repete, do que retorna sob formas diferentes, do que o sintoma protege e ao mesmo tempo denuncia. O sofrimento psíquico raramente é o que parece à primeira vista. Ele tem uma lógica, uma função, uma história. Entender essa lógica não é um exercício intelectual: é o que permite que algo se mova.

A estrutura psíquica de cada pessoa, sua forma singular de se relacionar com o desejo, com a perda, com o outro, não muda por decreto nem por técnica. Muda quando encontra espaço para ser escutada sem pressa de resolução. É aí que o trabalho analítico acontece.

Isso vale tanto para a criança que ainda não tem palavras para o que sente, e que expressa pelo brincar, pelo corpo, pelo comportamento o que ainda não consegue nomear, quanto para o adolescente que sente tudo ao mesmo tempo e não sabe o que fazer com isso, e para o adulto que percebe que continua repetindo algo que já deveria ter ficado para trás.

Mas a clínica contemporânea exige que a gente vá além da teoria clássica. O sujeito que chega hoje carrega não só suas questões internas. Carrega também a pressão de um mundo que acelera, que cobra performance, que embaralha identidade e imagem, que oferece estímulo constante como substituto de presença. A ansiedade que aparece na clínica não é só intrapsíquica: ela vive na fronteira entre o que o mundo externo exige e o que o mundo interno consegue sustentar.

Trabalhar com crianças, adolescentes e jovens adultos nesse contexto significa escutar uma geração que cresce com o olhar do outro mediado por tela, que aprende a se construir em público antes de se conhecer em privado, que sente muito mas tem cada vez menos vocabulário para nomear o que sente. Esse é o contemporâneo que me interessa. Não como fenômeno sociológico, mas como o que aparece na sessão quando a pessoa finalmente para de correr.

A segunda pós-graduação que curso em Psicanálise e Análise do Contemporâneo pela PUCRS não é um título a mais no currículo. É a tentativa de não me deixar enrijecer numa teoria enquanto o mundo, e as pessoas que chegam até mim, continuam mudando.

Se fez sentido para você, me chama. Vamos conversar.

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©2026 por Psicóloga Mayara Sander. 

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