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Por que psicanálise?

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Existe uma diferença entre tratar um sintoma e escutar o que ele está dizendo.

A psicanálise parte de uma premissa que ainda hoje perturba quem se aproxima dela pela primeira vez: boa parte do que nos governa não é acessível à consciência. Não por falta de esforço ou de autoconhecimento, mas porque o psiquismo humano se organiza de formas que a razão não alcança sozinha. Freud não descobriu o inconsciente por acidente. Ele percebeu que seus pacientes não melhoravam quando simplesmente compreendiam seus problemas. Algo mais precisava acontecer, algo que só a palavra, dita livremente, sem roteiro, sem meta, conseguia mobilizar.

Trabalho a partir disso. Não com um protocolo que mapeia sintomas e propõe intervenções, mas com a escuta do que se repete, do que retorna sob formas diferentes, do que o sintoma protege e ao mesmo tempo denuncia. O sofrimento psíquico raramente é o que parece à primeira vista. Ele tem uma lógica, uma função, uma história. Entender essa lógica não é um exercício intelectual: é o que permite que algo se mova.

A estrutura psíquica de cada pessoa, sua forma singular de se relacionar com o desejo, com a perda, com o outro, não muda por decreto nem por técnica. Muda quando encontra espaço para ser escutada sem pressa de resolução. É aí que o trabalho analítico acontece.

Isso vale tanto para a criança que ainda não tem palavras para o que sente, e que expressa pelo brincar, pelo corpo, pelo comportamento o que ainda não consegue nomear, quanto para o adolescente que sente tudo ao mesmo tempo e não sabe o que fazer com isso, e para o adulto que percebe que continua repetindo algo que já deveria ter ficado para trás.

Mas a clínica contemporânea exige que a gente vá além da teoria clássica. O sujeito que chega hoje carrega não só suas questões internas. Carrega também a pressão de um mundo que acelera, que cobra performance, que embaralha identidade e imagem, que oferece estímulo constante como substituto de presença. A ansiedade que aparece na clínica não é só intrapsíquica: ela vive na fronteira entre o que o mundo externo exige e o que o mundo interno consegue sustentar.

Trabalhar com crianças, adolescentes e jovens adultos nesse contexto significa escutar uma geração que cresce com o olhar do outro mediado por tela, que aprende a se construir em público antes de se conhecer em privado, que sente muito mas tem cada vez menos vocabulário para nomear o que sente. Esse é o contemporâneo que me interessa. Não como fenômeno sociológico, mas como o que aparece na sessão quando a pessoa finalmente para de correr.

A segunda pós-graduação que curso em Psicanálise e Análise do Contemporâneo pela PUCRS não é um título a mais no currículo. É a tentativa de não me deixar enrijecer numa teoria enquanto o mundo, e as pessoas que chegam até mim, continuam mudando.

Se fez sentido para você, me chama. Vamos conversar.

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©2026 por Psicóloga Mayara Sander. 

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