Nem todo adolescente revoltado está desrespeitando. Às vezes,ele está tentando existir.
- psicomayarasander
- há 2 dias
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Atualizado: há 1 dia
Existe uma pressão no corpo de quem está crescendo. Como se o mundo interno aumentasse mais rápido do que os recursos para dar conta disso. E quando não cabe, precisa sair por algum lugar. Mas não é só sobre isso. A rebeldia, muitas vezes, não é apenas oposição. É um movimento de diferenciação. Uma tentativa — ainda confusa — de dizer: eu não sou só aquilo que esperam de mim. Porque o adolescente não está apenas tentando caber no mundo. Ele também está tentando se desprender de uma imagem que foi construída antes dele — pelos olhos de quem o amou desde sempre. E isso é mais difícil do que parece. Porque essa imagem tem afeto. É familiar. É segura. Romper com ela dói. Às vezes, a revolta é o único jeito possível de fazer esse movimento. A porta batida. A resposta atravessada. O silêncio que dura dias. Nem sempre é só impulsividade. Pode ser alguém tentando empurrar para fora uma versão de si que não serve mais — sem ainda saber o que vai colocar no lugar. Como propõe Luis Kancyper, a adolescência envolve um trabalho psíquico de separação das imagens parentais e construção de uma identidade própria. Um processo que, inevitavelmente, passa por tensões, rupturas e conflitos. E, para quem está do outro lado, isso também não é simples. Porque amar alguém é, muitas vezes, sustentar o desconforto de vê-lo se tornar diferente daquilo que imaginamos. Entender isso não é justificar tudo. Mas talvez seja um convite a escutar antes de concluir



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